quinta-feira, 21 de julho de 2011

Jogos como uma possibilidade de intervenção para superação das dificuldades em aprender

Na sala de aula, nas clínicas e em instituições de ensino nos deparamos com muitas crianças que têm dificuldades em aprender. Um dos fatores que influenciam para esse cenário é a utilização de métodos ou abordagens que não contribuem para a formação de sujeitos autônomos no processo de construção do conhecimento.
Porém, o professor-pesquisador, aquele que possui uma postura de busca e produção de conhecimento, ao tomar consciência dos processos pelos quais os sujeitos aprendem têm mais condições de ter uma práxis pedagógica pautada na  prevenção das dificuldades de aprendizagem sendo capaz de proporcionar um ambiente favorável a construção do saber.
Entre outras possibilidades, o professor-mediador pode  propor situações em que sua intervenção é adequada ao nível de conhecimento que o aluno se encontra e contribuir para que ele possa assimilar, acomodar e adaptar-se ao novo objeto de conhecimento.
Neste contexto, os jogos se constituem em um excelente recurso de promoção da aprendizagem e da superação das dificuldades. O trabalho com jogos, além de ser uma atividade prazerosa, contribui para um ambiente favorável e para promover desafio à inteligência.
A intervenção pedagógica, através de jogos, pode ser feita tanto no âmbito individual como em grupos e seu principal objetivo deve ser estimular o processo de construção de conhecimento, o funcionamento intelectual e a troca de saberes.
Nesta perspectiva, o sujeito atua como protagonista da sua própria aprendizagem na medida em que, diante da situação problema, é motivado a  desenvolver estratégias, lidar com conflitos e contradições,  antecipar e refazer procedimentos e jogadas, favorecendo a tomada de consciência.
Em uma situação de jogo a criança pode desenvolver autonomia e domínio de si, pois a situação lhe propõe regras, limites e desafios. Através do papel de mediador na situação de intervenção com os jogos, o professor pode motivar a criança a analisar seus procedimentos, gerando situações de perturbação,  para que esta possa rever suas jogadas fracassadas. Através do erro, o aluno pode entrar em conflito com suas hipóteses já estabelecidas e através da equilibração re-organizar suas estratégias.
Entretanto, para que a proposta de atuação com jogos se estabeleça como um boa estratégia de intervenção nas dificuldades de aprender, é importante que o professor planeje a situação, definindo seu objetivo e direcionamento, agindo com intencionalidade e dando significado às atividades.
É importante que o professor conheça a criança ou grupo em que vai atuar, as características do desenvolvimento dos indivíduos para que possa regular o tempo da atividade, os temas de interesse e sondar se os conhecimentos prévios necessários estão instituídos.
Cabe ao professor apresentar o jogo e a situação problema, permitir que as crianças explorem os materiais e os experimentem livremente, organizar os alunos e acompanhar a atividade incentivando e propondo desafios.
Por fim, vale ressaltar que os jogos por si só não garantem a aprendizagem, mas se configuram em um bom recurso pois estimulam a atividade intelectual e unem prazer à aprendizagem.

Por Patricia Ottoni da Silva

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